sábado, 16 de junho de 2012

Musique Saoule (1978)

Depois de trabalhar com Gabriel Yared, Alain Goldstein e Michel Jonasz em Star, Françoise Hardy aceita o desafio de lançar um disco em uma nova linha de estilo musical. Depois dos sucessos de Cerrone e Donna Summer, na canção, e até mesmo de John Travolta nos filmes Embalos de sábado à noite e Grease, o ritmo disco toma completamente o mundo. E com a França não foi diferente. A proposta seria investir nos estilos funky, jazz e soul, seguindo a moda dos estilos da época.

Escrito basicamente por Michel Jonasz, com músicas de Alain Goldstein e Gabriel Yared, o álbum Musique Saoule é mesmo um álbum voltado para a modernidade. A imagem de Françoise Hardy cantando canções doces e melancólicas foram repaginadas, principalmente pela faixa J'écoute de la musique saoule, que acabou se tornando a música mais emblemática do disco. 

Imediatamente, as televisões se tornam favoráveis à nova identidade musical de Françoise, que é adotada por um público mais jovem, que não conhece o seu renome dos anos 1960. De tal forma, a cantora fica presente por quase um ano nos hit-parades com a J'écoute de la musique saouleGraças aos hit, Françoise recomeça a aumentar a venda de seus discos novamente - lembrando que, o álbum anterior ao Musique Saoule que teve boa aceitação do público foi Message Personnel, em 1973, cinco anos antes. O título se transforma em um sucesso clássico do fim dos anos 1970.


Apesar do sucesso, Musique Saoule é um disco no qual Françoise atua muito mais como intérprete. No disco, ela deixou de ser a autora de textos que provocavam reflexões para se dedicar à estética orientada pelo funky e pelo jazz. Ela escreveu apenas uma música para o disco, Perdu d'avance. A cantora, então, parece encontrar seus pés na cena musical, ainda que o ritmo de então e todo aquele universo lhe pareçam muito pouco familiar. 


Com o sucesso desse álbum, o produtor Gabriel Yared faz novas parcerias com Françoise, até o ano de 1982. O período culminariam ainda em outros três trabalhos. Em 1979, Françoise não grava nenhum álbum, mas faz uma contribuição à produção de um disco do conto musical Émilie Jolie. Nele, também participaram cantores franceses de renome, como Henri Salvador, Georges Brassens, Sylvie Vartan, entre outros. Na obra, Françoise intepreta a faixa La chanson de la socière.


1. J'écoute de la musique saoule (Michel Jonasz - Gabriel Yared)
2. Hallucinogène (Michel Jonasz - Alain Goldstein)
3 - Occupé (Michel Jonasz - Gabriel Yared)
4 - Brouillard dans la Rue Covisart (Com Jacques Dutronc) (Michel Jonasz - Gabriel Yared)
5 - Tu m'vois plus, tu m'sens plus (Michel Jonasz)
6 - Nous deux, nous deux et rien d'autre (Michel Jonasz - Gabriel Yared)
7 - Swing au pressing (Michel Jonasz - Alain Goldstein)
8 - Perdu d'avance (Françoise Hardy - Gabriel Yared)
9 - Tip tap, t'entends mes pas (Michel Jonasz - Alain Goldstein)
10 - Si je le retrouve un jour (Michel Jonasz - Alain Goldstein)
11 - Beau boeing, belle caravelle (Michel Jonasz)

BÔNUS:
• Chanson de la socière (Do conto musical Émilie Jolie, de 1979)

Star (1977)

Depois de lançar Entr'acte, as coisas se acalmaram um pouco para Françoise: ela passou a viver junto com Jacques Dutronc e constituiu literalmente uma família, as oportunidades com a astrologia a fizeram se dedicar a outro trabalho... No entanto, ainda que estivesse com os dois pés fincados neste novo mundo, a música ainda estava presente em sua vida. E como sempre costumava ser, suas canções refletiam os momentos de sua vida, tal como trilha sonora de um filme.

Durante o hiato 1974 - 1977, os trabalhos musicais foram isolados. Entre aparições na televisão, Françoise se juntou a Dutronc, Serge Gainsbourg e Jane Birkin para entoar uma versão a quatro vozes da canção Les p'tits papiers, em 1975. No ano seguinte, ela fazia um dueto com Birkin, reprisando a canção Comment te dire adieu. Françoise também lançaria um compacto com as canções Femmes parmi les femmes e Tu t'amuses, que fazem parte do filme Si c'était à refaire (Se fosse possível refazer), de Claude Lelouch.

No decorrer dos anos, Françoise, sem grandes pretextos pessoais, resolve lançar um novo disco. Para isso, ela firma acordo com a EMI. O álbum, nomeado Star - em referência a faixa-título, uma versão francesa da canção homônima de Janis Ian - reúne cinco letras compostas por Hardy e contribuições de outros compositores, incluindo Enregistrement, de Gainsbourg. Gabriel Yared ficaria responsável pela produção do álbum e também faria contribuções para o disco. Destaque para Chanson sur toi et nous, que refletia o período feliz na vida amorosa de Françoise Hardy. O disco representa uma transição na questão estética, mostrando as primeiras influências do funky e do jazz sobre a cantora. No entanto, o estilo só se tornaria mais sólido no ano seguinte, quando Hardy lançaria o disco Musique Saoule.

Françoise interpreta Chanson sur toi et nous em programa televisivo, em 1977


Outra faixa de destaque do disco é Flashbacks

Uma curiosidade é que Star foi o último disco de Françoise a se editado no Brasil. Durante 15 anos, os brasileiros foram contemplados, no total, com 15 discos da cantora. São eles: Tous les garçons et les filles (1964), Le premier bonheur du jour (1965), Mon amie la rose (1965), L'amitié (1965), La maison où j'ai grandi (1967), À quoi ça sert? (1968), Françoise Hardy en Anglais (1969), Comment te dire adieu (1969), Françoise Hardy (1970), La question (1972), Fleur de lune/Soleil (1973), If you listen (1974), Star (1977), Le disque d'or de Françoise Hardy (1977) e Françoise Hardy chante ses succès (1977).

1. Star (Françoise Hardy - Janes Ian)
2. Chanson sur toi et nous (Françoise Hardy - Gabriel Yared)
3. Enregistrement (Serge Gainsbourg)
4 - À vannes (Michel Jonasz)
5 - Flashbacks (Luc Plamondon - R. Vincent)
6 - L'impasse (Françoise Hardy - Pièrre Papadiamandis)
7 - Ton enfance (P. Grosz - Alain Goldstein)
8 - Je ne suis que moi (Françoise Hardy - Catherine Lara)
9 - Drôle de Fête (Françoise Hardy - William Sheller)
10 - Fatiguée (Françoise Hardy - Gabriel Yared)

BÔNUS:
• Comment lui dire adieu (Com Jane Birkin)

sábado, 9 de junho de 2012

Entr'acte (1974)


Desde que engatou um relacionamento com Jacques Dutronc, Françoise Hardy, por lado, viu-se feliz por estar com a pessoa que amava. Por outro lado, sua insegurança e os limites impostos pelo companheiro a deixavam confusa quanto a estabilidade do relacionamento. Ano após ano, ainda que presente, a cantora não sentia que o rapaz não correspondia tanto aos seus sentimentos. E assim ela permaneceu na tortuosa relação, que acabou gerando canções muito pessoais e emotivas.

“Minha motivação principal era de ordem sentimental. Eu canto canções que, como uma vez escreveu Alain Souchon: Minha canção para você é para que você nunca me deixe.” Assim, Françoise usava suas canções como um canal para se expressar e dizer ao seu amor aquilo que ela não tinha coragem de falar. “Escrevi canções que eram diretamente direcionadas a ele. Mas bem que, naquela época, eu não sabia se ele as ouvia.”



As coisas ficaram ainda mais obscuras quando ela deu luz a seu filho e, ainda assim, o relacionamento dos dois, ainda que sério, parecia sempre estar, para ela, duvidoso. Aproveitando o último ano de contrato com a WEA, no intuito de inquietar Dutronc, quase como em uma cartase, ela escreveu a trama de um álbum-conceito Entr'acte, lançado na França em 1974. No álbum, a cantora afirma sua condição emocional e sua sexualidade: a história de uma mulher negligenciada, que teve uma aventura de apenas de uma noite com um homem.

Para a felicidade da cantora, em 1974, quase um ano após o nascimento de Thomas, o casal decide viver sob o mesmo teto e se mudam para uma casa do bairro do Parque Montsouris, no 14º distrito de Paris. Todas as canções de Entr'acte tiveram textos escritos por Françoise Hardy. Da mesma forma que Message personnel, a canção Que vas-tu faire?, lançada em um compacto em 1975, é, nos anos 90, adicionada ao disco como uma faixa bônus.

Canção Que vas-tu faire? foi incluída no setlist de Entr'act na edição do álbum em CD

Uma das músicas de destaque do disco é Je te cherche
que se tornou single juntamente com Ce soir

Com a vida amorosa finalmente estabilizada e com uma família formada, no fim de 1974, Françoise então se afasta um pouco da música. Concluídas as gravações de Entr'acte, o astrólogo Jean-Pierre Nicola a convida para trabalhar com ele em uma revista especializada em astrologia. Ela traçará assim seu caminho que a levará ao diretor da Rádio Monte-Carlo, que a confia, em 1980, um programa semanal sobre astrologia, que ela comandaria junto com seu mentor, Jean-Pierre Nicola. 

Dessa forma, Françoise passa a se dedicar mais à astrologia, com aparições musicais mais escassas. Em 1976, ela lançaria um EP incluindo a trilha sonora original do filme de Claude Lelouch, Si c’était à refaire (Se fosse possível refazer), na qual aparece a música gravada por Françoise, Femme parmi les femmes. Um próximo álbum de carreira só seria feito mesmo novamente em 1977.



1. Ce soir (Françoise Hardy - Jean-Pièrre Castelain)
2. Merveilleux 
(Françoise Hardy - Gérard Kawczynski)
3. Et voilà 
(Françoise Hardy - Jean-Pièrre Castelain)
4. Je n'aime pas ce qu'il dit 
(Françoise Hardy - Jean-Pièrre Castelain)
5. Chanson noire 
(Françoise Hardy - Hugues de Courson)
6. Je te cherche (Peut-être) 
(Françoise Hardy - André Georget)
7. S'il avait été (Françoise Hardy - Catherine Lara)
8. Bonjour, bonsoir (Françoise Hardy - Michel Sivy)
9. Il y a eu des nuits (Françoise Hardy - Catherine Lara)
10. Fin d'après-midi 
(Françoise Hardy - Jacques Dutronc)
11. Que vas-tu faire? 
(Françoise Hardy – Jean-Michel Jarre)

BÔNUS:
• Le compte à rebours 
(Jean-Michel Jarre(B-side do single Que vas-tu faire?,  de 1975)
• Femme parmi les femmes
(Francis Lai Pierre Barouh) (Do EP Femme parmi les femmes, de 1976)
• Tu t'amuses 
(Chris Rambault – Aram Sedefian) (Do EP Femme parmi les femmes, de 1976)